CLADEM Brasil - Este trabalho apresenta alguns dados inéditos e as recomendações do Informe Brasil – Gênero e Educação, estudo que se encontra em fase de finalização, produzido no marco da Campanha Educação Não Sexista e Anti Discriminatória. O trabalho é desenvolvido pela organização Ação Educativa, com colaboração da organização Ecos - Comunicação e Sexualidade e do CNRVV – Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae/SP.

O Informe Brasileiro integra Informe Regional desenvolvido em todos os países latino americanos que integram a Campanha. O Resumo-Executivo do informe Brasil está sendo divulgado durante a Semana de Ação Mundial, impulsionado pela Campanha Global de Educação e coordenado no Brasil pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Assim como outros países da América Latina, predomina um entendimento de setores governamentais e da sociedade civil que no Brasil os desafios da garantia dos direitos das mulheres e, de forma mais ampla e relacional, a equidade de gênero (entre homens e mulheres) na educação já foram “resolvidos”. Esta visão é reforçada por diversos relatórios produzidos pelo Estado brasileiro nas últimas décadas que apontam a maior escolaridade e melhor desempenho das mulheres na educação como resposta definitiva às metas internacionais referentes às inequidades de gênero na educação.

É importante observar que nos documentos oficiais não se nega a existência de grandes desafios com relação à situação das mulheres no mercado de trabalho, na saúde, na violência doméstica, no acesso ao poder, ao direito à moradia, etc, mas na educação, a agenda perde potência, apesar de se considerar que o investimento na educação é estratégico para o enfrentamento das diversas desigualdades, discriminações e violências de gênero que continuam presentes no cotidiano e para o acesso de mulheres e homens a outros direitos humanos.

Não se pode negar o avanço expresso nos indicadores nacionais de educacão com relação ao acesso das mulheres à escolarização. Porém, essa conquista é insuficiente para afirmar que o país tenha alcançado a equidade entre homens e mulheres na educação e cumprido as metas internacionais de uma educação não-sexista e não-dscriminatória. O momento em que o país se encontra nesse desafio exige uma olhar mais complexo e matizado que permita captar as desigualdades e discriminações de gênero que se perpetuam na educação brasileira e reconfigurar uma agenda de ação nas políticas públicas mais precisa.